Segundo ela, 30% dos traumas ocorridos durante o uso dos andadores são considerados graves, conforme as estatísticas que circulam no meio médico.
“Muitos pais acreditam que somente há perigo se a criança for deixada sozinha no andador. Isso não é verdade. No seu primeiro ano de vida, a criança é muito ativa e quer explorar tudo, tudo chama a sua atenção e ela, por outro lado, não tem a menor noção de perigo. Um único segundo de distração do cuidador já é suficiente para a criança se mover um metro, se estiver no equipamento. É nesse intervalo que os acidentes acontecem”, especifica a médica.
Além do risco de acidente, há outro agravante para a contraindicação dos andadores: diferentemente do que muitos pensam, eles não estimulam a marcha. Ou seja, a criança não irá aprender a andar melhor e mais rápido com o uso do acessório.
“A criança irá andar apenas quando seu desenvolvimento físico e neurológico estiverem prontos para isso”, observa Simone.
Em alguns casos, o uso do andador pode, inclusive, prejudicar esse desenvolvimento. A dona de casa Izabela Pontes conta que o seu filho João Gabriel, de 2 anos, teve de passar por sessões de fisioterapia e que, na altura, o pediatra responsável apontou a relação entre o uso do equipamento e as dificuldades da criança para se sentar sozinha e para engatinhar.
“A partir do sétimo mês, como ele era bem pesadinho, começamos a usar o andador. Mas, aos 9 meses, eu notei que ele não engatinhava e não buscava se sentar sozinho. Além disso, quando ficava em pé, era só na ponta dos pés, na posição em que ficava no andador. Relatei isso ao médico e levei uma bronca por ter usado o equipamento”, lembra a mãe.
As sessões de fisioterapia duraram quatro meses e foram muito lúdicas e tranquilas, segundo a mãe. Nelas, o João Gabriel era estimulado a engatinhar, buscar brinquedos de seu interesse, sentar para brincar de bola e realizar trabalho motor em diferentes terrenos como caixas de areia, solos mais ásperos, grama etc.
“Em cada sessão de fisioterapia percebi o quanto prejudiquei o desenvolvimento motor de meu filho, ao achar que o estaria ajudando com um andador. Quando meu filho teve alta da fisioterapia, ele já engatinhava, sentava-se sozinho e, com 1 ano e 4 meses, começou a andar normalmente. Hoje vejo que cada criança tem seu próprio tempo e ritmo de desenvolvimento e penso que os pais devem esquecer os andadores”, declara Izabela.
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