Simone Amorim,
neurofisiologista e neurologista infantil
Há alguns dias, estive em Natal (RN), para o Congresso Brasileiro de Neurofisiologia Clínica, sendo que, neste ano, foi comemorado também o cinquentenário da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC).
Durante o Congresso de Neurofisiologia, com o Dr. Antonio Cattai, homenageado no evento.
Durante o evento, mestres como o Dr. Antonio Luiz Cattai foram homenageados por toda uma vida dedicada à arte de decifrar os sinais do nosso sistema nervoso central e periférico. Além disso, o amigo e médico fisiatra Dr. Fuad Chaim Filho, integrante do Corpo Clínico da Vita, foi aprovado na difícil prova de título da SBNC, transcorrida no mesmo fim de semana.
Dr. Fuad Chaim, membro do Corpo Clínico da Vita.
Foi, portanto, um momento simbólico de consagração dessa especialidade que, conforme sempre venho apontando por aqui, tem muito o que contribuir para a Medicina e é ainda pouco conhecida pelo grande público. E foram também dias de grande alegria e de muito aprendizado.
Meu maior objetivo no evento foi o de assistir às aulas de Eletroneuromiografia, área em que concentro minha especialização. Nelas, pude revisar conceitos e também conhecer técnicas novas, além de ver como as pesquisas estão avançadas nesse campo, com os neurocientistas engajados em descobrir como funcionam e atuam até as fibras nervosas mais finas que existem em nosso corpo.
São avanços que nos fascinam e que, na medida em que consigo, tento compartilhar por aqui.
O grande interesse científico sobre essas fibras nervosas que, embora minúsculas, estão longe de serem insignificantes, está principalmente no fato delas, muitas vezes, serem as grandes responsáveis pelos quadros de dor – a chamada dor neuropática – e causarem a neuropatia periférica de fibras finas, comum em pacientes diabéticos, fibromiálgicos e naqueles que normalmente relatam uma dor em “queimação” nos pés, sem que os exames apontem uma causa.
Nem é preciso dizer que entender os problemas que acometem essas estruturas, bem como o mecanismo da dor, são os primeiros e fundamentais passos para que tenhamos, cada vez mais, tratamentos assertivos e eficazes.
Ver de perto essa evolução acontecendo e poder transmitir a notícia desses avanços para os pacientes é não só um privilégio, como também algo muito gratificante. Eis aí o resumo do que foi mais um final de semana de estudos – e que valeu muito cada minuto!
Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:44
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