Na avaliação da geriatra Anna Carolina Peres da Silva, esse tipo de tecnologia pode, sim, ser muito interessante como auxiliar na análise do paciente. Ela ressalta, porém, que é necessário esperar estudos comprovativos sobre a validade científica da ferramenta.
Conforme as informações divulgadas pela universidade, o aplicativo, que se chama Cantab Mobile (neste link é possível ver um vídeo em inglês produzido pela universidade para apresentação do software), poderá ajudar a reduzir para apenas alguns minutos o tempo médio necessário para se fechar o diagnóstico da doença. Hoje, o tempo médio necessário de análise e acompanhamento do paciente para se ter uma avaliação segura pode ser de até 3 anos.
Ocorre que diversos casos exigem uma observação mais aprofundada das queixas do paciente, e uma avaliação atenta por parte do médico para verificar como o paciente lida com esses deficits no seu dia a dia. Então, conforme explica Anna Carolina, muitas vezes o diagnóstico de demência não pode ser feito na primeira consulta.
“Por ser uma análise complexa, os testes de rastreio ajudam, e muito, na avaliação clínica”, salienta a especialista. Assim, na sua visão, qualquer software que venha auxiliar os profissionais nesse sentido poderá ser muito bem-vindo.
“Ainda não sabemos em detalhes como funciona o aplicativo, mas acredito que deva constar de perguntas que auxiliem na investigação de queixas de memória do paciente”, avalia a especialista.
Segundo a médica, os testes já existentes e válidos no Brasil – como o mini exame do estado mental (Mini Mental) e o Teste do Relógio – são utilizados nas consultas geriátricas e neurológicas para que os especialistas consigam verificar quais seguimentos da cognição possivelmente estão afetados (memória, atenção, função executiva, habilidades visuoespaciais e linguagem).
“Esses testes auxiliam no rastreio diagnósticos dos deficits cognitivos. Porém, não fornecem o diagnóstico de demência. Para o diagnóstico definitivo, o principal é a história, relatada pelo paciente e/ou pelos familiares, das queixas de memória e a observação do quanto as mesmas interferem no dia-a-dia do paciente”, explica.
O próprio centro Cambridge Cognition, onde o novo aplicativo foi desenvolvido, adverte que o Cantab Mobile “serve apenas para auxiliar o diagnóstico preliminar”, não dispensando uma análise mais profunda por parte do médico.
A previsão é de que o aplicativo seja disponibilizado em 20 línguas e dê três tipos de classificação para os possíveis doentes: “Investigar”, “Monitorar” e “Sem motivo para preocupação”.
Por enquanto, a ferramenta ainda não está disponível para o público e só será distribuída para profissionais de saúde registrados no Reino Unido. Vamos, então, aguardar para ver a evolução da novidade e se ela de fato irá encurtar o tempo de diagnóstico para o Alzheimer.
Essa publicação foi atualizada em 26 de agosto de 2019 12:53
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