Música traz benefícios diretos para o Processamento Auditivo Central (PAC)

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Elas têm bombado nas lives musicais Internet afora. E também já deram verdadeiros shows de conhecimento sobre Fonoaudiologia no nosso “Manhãs da Vita” – programa semanal, transmitido através do nosso Instagram, no qual conversamos com especialistas sobre temas de saúde. A dupla Simone Sperança e Taís Picinini consegue unir uma bela trajetória nos palcos a uma vasta experiência clínica, onde colocam em prática todo o conhecimento adquirido em seus estudos científicos – ambas são mestras em Distúrbios da Comunicação Humana e desenvolveram teses interessantíssimas sobre os benefícios da música para o Processamento Auditivo Central (PAC).

Mestras em Distúrbios da Comunicação Humana, Simone Sperança e Taís Picinini unem a paixão pela música com a Fonoaudiologia

Esbanjando simpatia, carisma e total domínio do assunto, a dupla trouxe para as nossas lives uma série de esclarecimentos sobre os sintomas, o diagnóstico e o tratamento de um problema que pode afetar crianças e adultos, e que costuma implicar em sérios prejuízos para o desempenho escolar, a vida profissional e as relações sociais como um todo: o Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC).

O que são PAC e TPAC?

“Basicamente, dizemos que o Processamento Auditivo Central é aquilo que o meu cérebro faz com o que a minha orelha escuta”, explica Simone Sperança, salientando que isso envolve uma série de processos cerebrais, que fazemos com os sons que captamos.

Simone Sperança explica que é graças ao Processamento Auditivo que conseguimos atribuir sentido às informações que ouvimos

“Graças a isso é que conseguimos, em algum momento, separar, por exemplo, aquilo que é o som de um ruído, daquilo que é o som de uma fala – para o qual precisamos atribuir um sentido, para que a comunicação possa acontecer”, complementa. Por assim dizer, o PAC é então uma “conversa” entre o ouvido e o cérebro, a fim de dar sentido àquele som que foi captado.

Já o Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC), por sua vez, surge quando há problemas nesse processo – logo, não se trata necessariamente de problemas na estrutura dos ouvidos ou de alguma incapacidade de captar ondas sonoras (embora essas situações também possam ocorrer e contribuir para o TPAC), mas sim de dificuldades para conseguir dar sentido aos sons.

Principais causas do TPAC

Conforme explica Taís Picinini, várias razões podem estar relacionadas ao surgimento do TPAC, tais como: predisposição genética, atrasos maturacionais das vias auditivas, ocorrências de infecções auditivas durante a primeira infância, lesões cerebrais (por anóxia ou traumatismo craniano, por exemplo), etc.

Existe até mesmo uma surpreendente relação entre a ausência do aleitamento materno, aumentando os riscos de desenvolvimento do TPAC – a fonoaudióloga Simone Sperança falou sobre isso em uma live especial, na Semana da Amamentação (que pode ser vista clicando aqui).

Durante o processo de envelhecimento, o quadro também pode surgir. As fonoaudiólogas salientam que o processamento auditivo precisa ser estimulado ao longo de toda a vida, e que, muitas vezes, devido às perdas auditivas ocorridas com o avanço da idade e a diminuição das atividades sociais, esses estímulos deixam de ser devidamente oferecidos.

Sinais do TPAC em crianças e adultos

Os primeiros sinais do TPAC podem surgir ainda na primeira infância, com trocas na fala (trocas de fonemas, que variam de criança para criança), que persistem a partir do 4º ano de vida. Nessa fase já é interessante uma avaliação pelo fonoaudiólogo, iniciando-se também aí uma série de estimulações para prevenir o problema (mas o diagnóstico propriamente dito do TPAC só pode ser fechado um pouco mais tarde, a partir dos sete anos).

Já na fase escolar, as dificuldades no rendimento escolar e/ou na sociabilização também podem ser um sinal de problemas com o processamento auditivo. A hipótese de existência do transtorno deve ser levada em consideração em avaliações diagnósticas, que também costumam considerar a investigação de quadros como dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA), dentre outras possibilidades.

Ao longo da adolescência e da vida adulta, algumas características comportamentais podem vir a ser desenvolvidas, como forma de “compensação” pelas dificuldades de processamento auditivo – que em grande parte das vezes, a pessoa nem sequer desconfia que tem. Questões como: evitar eventos sociais, ser pouco comunicativo ou dar pouca atenção às pessoas podem ser confundidas com traços como timidez, falta de conhecimento ou até arrogância, quando, na verdade, são “defesas” frente ao TPAC.

“Temos diversos casos desse tipo, como o de uma executiva, com uma formação impecável e desempenho brilhante tecnicamente em sua área, mas que não conseguia manter-se em cargos de chefia de equipes, porque nessas situações sempre surgiam problemas de relacionamento. Ela era tida como alguém que não dava atenção ao que as outras pessoas diziam, sendo considerada uma pessoa sem empatia. Mas na verdade, ela tinha um severo Transtorno de Processamento Auditivo”, conta Simone.

Diagnóstico e tratamento

Se, por um lado, conviver com o TPAC é algo bastante desafiador e complexo, a boa notícia é que, por outro, o diagnóstico e o tratamento desse quadro são muito mais tranquilos. Não envolvem, em nenhuma etapa, nenhum tipo de procedimento invasivo e o melhor de tudo: o transtorno pode ser revertido.

A cabine acústica é utilizada tanto na avaliação diagnóstica do TPAC, quanto no treinamento auditivo realizado com os pacientes

Segundo as fonoaudiólogas, o protocolo de tratamento prevê a realização de 12 sessões de treino auditivo em consultório, juntamente com exercícios que precisam ser feitos em casa. Todo o ciclo terapêutico dura, em média, de dois a três meses.

A avaliação diagnóstica consiste na realização de uma série de testes – pelo menos um teste para cada habilidade auditiva – que visam observar as respostas do paciente a estímulos específicos. Os testes em cabine acústica podem ser feitos a partir dos sete anos de idade.

Comorbidade com outros transtornos

É muito importante ressaltar que a presença do TPAC não necessariamente implica em outros transtornos ou problemas de neurodesenvolvimento, como o TEA ou o TDAH (com o qual muitas vezes o TPAC é confundido, inclusive). Contudo, é muito recorrente que na presença deles haja também o TPAC.

A fonoaudióloga Taís Picinini explica que “tudo o que interfere no desenvolvimento cerebral ou no amadurecimento dos neurônios geralmente acaba interferindo também no Processamento Auditivo Central, por falta de amadurecimento dessas vias. Por isso é muito comum esse quadro estar presente quando há algum outro transtorno do neurodesenvolvimento”.

Música ajuda na prevenção do TPAC

Uma outra curiosidade informada pelas especialistas é a de que músicos raramente apresentam o Transtorno do Processamento Auditivo Central. É que os estímulos proporcionados pelo exercício de ouvir com atenção e buscar reproduzir as notas musicais beneficiam áreas do cérebro responsáveis pelo PAC (a exposição à música contribui para o desenvolvimento do corpo caloso, região de comunicação inter-hemisférica no cérebro). E, detalhe: quanto mais cedo a musicalização é iniciada, melhor!

Por isso, para pessoas de todas as idades, Simone Sperança não hesita em recomendar a música “como uma forma maravilhosa de exercitar o cérebro”. Segundo a especialista, o hábito de ouvir músicas das quais gostamos, buscando prestar atenção na sua composição e na sua letra, “é uma atividade importante para a habilidade de identificar a chamada figura-fundo – relacionada à capacidade de dar sentido àquilo que ouvimos, dentro de . Esse é um exercício muito válido e acessível a todos”, recomenda.

Essa publicação foi atualizada em 1 de outubro de 2020 12:22

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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