Neuroplasticidade: a incrível capacidade de adaptação do cérebro humano

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Que o cérebro humano é um fantástica central de processamento de informações, programação e distribuição de comandos, você certamente já sabe. Mas uma noção que é relativamente nova para a maioria das pessoas é a de que há uma grande (e, quase sempre, surpreendente) capacidade de adaptação nos sistemas de funcionamento dessa complexa “máquina”. A isso, dá-se o nome de neuroplasticidade – um conceito que vem mudando paradigmas na área da Neurologia, tanto na forma como doenças e deficiências são abordadas e tratadas, quanto naquilo que se recomenda como medidas preventivas para manter a mente ativa e saudável ao longo de toda a vida.

Doutora em Neurociências, Simone Amorim, destaca a importância da neuroplasticidade para os processos de Neurorreabilitação

Neste mês em que se assinala o Dia Mundial do Cérebro (dia 22/07), a doutora em Neurociências, neurofisiologista, neurologista infantil e especialista em tratamentos com toxina botulínica na área neurológica, Simone Amorim, que também é diretora clínica da Vita, foi a entrevistada da segunda edição do programa “Manhãs da Vita”, transmitido pelo nosso Instagram (clique aqui para ver o programa completo).

Durante aproximadamente 40 minutos, a médica respondeu perguntas sobre como os conhecimentos e descobertas a respeito da plasticidade cerebral têm proporcionado avanços em termos terapêuticos (sobretudo para os pacientes com quadros neurológicos crônicos, em todas as idades) e também deu dicas práticas sobre como tirar partido desses conceitos em nosso dia a dia.

O cérebro precisa de desafios

Segundo a especialista, tecnicamente, a neuroplasticidade é a capacidade que o nosso cérebro tem de evoluir, aumentando as suas conexões neuronais. “Nós temos milhões e milhões neurônios, que vão se interligando por meio de suas ramificações, transmitindo informações – isto é, formando uma rede neuronal (que seria uma espécie de central de comando de todo o nosso organismo). Está provado que, quanto mais desafios e estímulos damos ao cérebro, mais ele responde, expandindo essa rede de conexões”, explicou.

Por isso, quando a Medicina fala em tirar partido da plasticidade cerebral, a grande meta é a de expandir essa tal rede neuronal. “Isso se consegue não necessariamente aumentando o número de neurônios, mas sim por meio de ganhos na capacidade de comunicação entre essas células (ou seja, favorecendo as chamadas sinapses) ”, detalhou Simone.

Janelas do desenvolvimento

Mas, se por um lado, está claro que temos a possibilidade de melhorar a nossa performance cerebral em qualquer idade, por outro, os especialistas enfatizam que há importantes “janelas de desenvolvimento”, que devem ser muito bem aproveitadas. Grosso modo, podemos dizer que há momentos ideais (ou pelo menos mais propícios) para se criar uma boa e saudável rede neuronal – e acerta quem pensa logo na infância como a maior e mais importante oportunidade que temos nesse sentido.

“A neuroplasticidade é tanto maior, quanto menor for a idade da criança”, explicou a médica, salientando que o grande momento ocorre principalmente ao longo do primeiro ano de vida. Hoje, segundo ela, é sabido que essa é uma fase crucial no estabelecimento de uma rede de conexões bem preparada para absorver conhecimentos e ganhar habilidades ao longo de toda a vida.

“Para se ter uma ideia: metade do que temos de volume cerebral na vida adulta evoluiu nos nossos 12 primeiros meses de vida, sendo que até por volta dos quatro anos temos aí uma janela importantíssima para trabalhar a plasticidade cerebral. Não se trata necessariamente de ensinar a criança a fazer coisas, mas sim de oferecer estímulos, exemplos e um bom ambiente para que ela desenvolva uma boa rede de conexões neuronais”, explicou a especialista.

Neuroplasticidade e Neurorreabilitação

Justamente devido ao que se conhece hoje sobre a neuroplasticade e as grandes janelas de desenvolvimento, os especialistas recomendam que as abordagens de Neurorreabilitação sejam iniciadas o mais cedo possível nos pacientes infantis. E, no caso dos pacientes adultos, tão logo surjam os problemas ou agravos que afetam a performance cerebral.

Essa orientação fala então diretamente a quadros como paralisia cerebral, doenças neurodegenerativas (tanto na infância, quanto no paciente adulto ou idoso, como no caso do Alzheimer e Doença de Parkinson), traumatismos e acidente vascular cerebral (AVC). “Quanto mais cedo as terapias são iniciadas, maiores são as chances de trabalharmos devidamente a grande capacidade de adaptação do cérebro”, sublinhou Simone, lembrando ainda que essa agilidade previne também que o cérebro sozinho (sem o devido suporte e direcionamento terapêutico) estabeleça e consolide compensações (nem sempre adequadas) para as deficiências que enfrenta.

DICAS PARA UM CÉREBRO SAUDÁVEL EM QUALQUER IDADE

Desafie a sua mente para criar novas redes neuronais. Aprender coisas novas é o melhor caminho para isso. Vale tanto para habilidades motoras (como aprender a costurar, nadar, dirigir, andar de bicicleta, praticar qualquer novo exporte, etc.), quanto para atividades puramente intelectuais, como: jogar xadrez, usar um determinado programa de computador, estudar um novo idioma, etc.

– Entenda que idade NÃO é limite para o aprendizado. Embora existam sim importantes janelas de desenvolvimento ao longo da vida, nós podemos (e devemos) buscar aprender coisas novas em qualquer idade. O avanço pode até ser mais lento, mas é compensador! Claro, sempre é preciso considerar a existência de eventuais problemas de saúde e preparo físico, que podem restringir algumas possibilidades. Oriente-se com o seu médico de confiança.

– Ofereça atenção e estímulo para as crianças. É gostoso ver como as crianças aprendem rápido, mas não é preciso ter grande ansiedade em ensiná-las uma série de habilidades, matricular em todos os cursos e sobrelotar a agenda com atividades variadas. Brincar, estar inserida em ambientes que estimulem a criatividade, a iniciativa e as habilidades físicas e mentais são o mais importante ao longo dos primeiros anos da infância.

NOSSA PRÓXIMA LIVE

Ainda à volta das habilidades e capacidade de adaptação do nosso cérebro, nesta semana o bate-papo ao vivo no nosso Instagram será com as fonoaudiólogas Simone Sperança e Taís Picinini. Ambas integram a nossa equipe e são mestres em Distúrbios da Comunicação Humana, com atuação focada no Transtorno do Processamento Auditivo (TPAC) – condição que afeta a capacidade de recepção e processamento de informações pela via auditiva, independentemente de haver ou não limitações na capacidade da pessoa de captar ondas sonoras. O processamento auditivo é uma habilidade que pode ser desenvolvida e aprimorada, melhorando assim inúmeros aspectos da vida dos indivíduos que têm o TPAC, tais como: desempenho escolar, vida social, relacionamentos interpessoais e até carreira profissional. Uma curiosidade: além da atuação em consultório, Simone e Taís formam também uma dupla musical sertaneja, e utilizam muito dessa experiência em seus processos terapêuticos, tendo, inclusive, desenvolvido teses acadêmicas a respeito dos benefícios da música para o processamento auditivo central.

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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