Guilherme Foizer,
Especialista em cirurgia da coluna
A maioria das pesquisas e dos trabalhos científicos sobre a escoliose idiopática (sem causa aparente) em adolescentes centra-se na descoberta das causas e na avaliação dos métodos de tratamento. Obviamente, são estudos muito importantes para os avanços que temos visto nos tratamentos nas últimas décadas.
Porém, ainda precisamos de mais dados e mais investigações sobre os quadros de dor nesses pacientes.
A esse respeito, a revista científica Spine, uma das mais importantes publicações sobre doenças da coluna no mundo, traz um artigo muito interessante na edição deste mês (agosto): o estudo avaliou 584 indivíduos, em vários centros de tratamento diferentes, e objetivou traçar um perfil do paciente que apresenta dor nas costas após a cirurgia de correção da escoliose.
Desse grupo, 48 pacientes (7% do total estudado) apresentaram dores sem causas aparentes após ampla investigação, no período de seis a 24 meses após a cirurgia. E um grupo menor, de 13 pessoas (2%), apresentou dores num período mais curto, de seis semanas a seis meses após o procedimento.
A taxa maior de dor após a cirurgia foi apresentada em pacientes que também apresentaram dor antes da cirurgia, apesar de não ser estabelecida uma correlação direta entre dor anterior e a dor pós-operatória (para determinar uma relação entre ambas são ainda preciso estudos focados nesse objetivo e que explore hipóteses acerca de uma possível correspondência entre as causas da dor antes e depois da cirurgia).
O artigo da Revista Spine mostra, portanto, que apesar de ser um número relativamente pequeno o de pacientes que apresentam dor crônica após a cirurgia, esse é um quadro que existe para um pequeno percentual (pelo menos 7%, conforme o levantamento).
Comprovadamente, esses quadros dolorosos não representam prejuízos funcionais aos pacientes, o que é uma boa notícia.
Mas a dor em adolescentes com escoliose tem sido pouco abordada na história da cirurgia da coluna. Ainda não estão claras as causas dessas situações e a expectativa é de que novos trabalhos científicos venham estabelecer mais claramente as causas da dor para podermos abordar melhor essa condição.
Hoje, contudo, o que está bastante claro e tido como ponto de consenso entre os especialistas é que a cirurgia deve ser sempre o último recurso a ser adotado. Ela é indicada quando definitivamente outras abordagens não resultaram e o desvio implica em riscos ou severos prejuízos funcionais para o paciente.
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