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Sialorreia: um sintoma que precisa ser observado no paciente neurológico

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No meu último texto por aqui, comentei sobre algumas aulas dadas sobre o tratamento da espasticidade com o uso de toxina botulínica. E, ainda na sequência desses encontros com especialistas, hoje eu gostaria de compartilhar com vocês um outro tema, sobre o qual também tive a oportunidade de falar a neurologistas, neurocirurgiões e fisiatras, em eventos recentes: o tratamento da sialorreia em pacientes infantis e adultos.

Aula para colegas no Amazonas: terapias de ponta hoje estão cada vez mais acessíveis para os quadros neurológicos crônicos

É sempre um prazer poder falar a outros médicos e demais profissionais de saúde sobre as diversas indicações da toxina botulínica na Neurologia. Pois a disseminação desses tratamentos e a sua indicação precoce têm impactado muito o panorama dos quadros crônicos, oferecendo prognósticos bem melhores aos nossos pacientes.

A sialorreia está presente em diversos quadros neurológicos, sendo caracterizada pela dificuldade de reter e engolir a saliva, ou mesmo pela salivação excessiva, causada pelo uso de determinadas medicações. Na infância, esse sintoma é muito prevalente nos quadros de paralisia cerebral. Já nos adultos, a Doença de Parkinson é o quadro geralmente mais associado a esse problema.

Em ambas as situações, o paciente tem uma incoordenação para deglutir (engolir) a saliva que produz e também tem uma fraqueza dos músculos da região perioral (em volta da boca). Além de incômoda e impactante na vida social, essa é uma situação de risco para o paciente, pois aumenta bastante a incidência de casos de broncoaspiração da saliva, causando pneumonias de repetição nesses indivíduos.

Tratamento adequado

São, portanto, várias as razões para que o tratamento da sialorreia seja cada vez mais encarado como algo crucial para a manutenção da saúde do paciente crônico.

O neurologista – ou o neurologista infantil, no caso dos pacientes pediátricos – é quem orienta as condutas mais indicadas para cada caso, a partir das trocas de informações com a família – que algumas vezes não se dá conta da presença do sintoma, mas relata que o paciente “ronca” todo o tempo (esse é um sinal da incapacidade de deglutição da saliva, mesmo que ela não esteja sendo extravasada pela boca, através da baba).

O tratamento da sialorreia pode incluir o uso da toxina botulínica e um acompanhamento fonoaudiológico, além de medicações orais

Em grande parte das vezes, o tratamento inclui o acompanhamento fonoaudiológico e pode também envolver o uso de medicações orais ou, até mesmo, a indicação de processos cirúrgicos. Mas a terapêutica com toxina botulínica atualmente figura como a grande e principal aliada nesses casos (aqui neste link explico mais sobre esse processo).

Às famílias, recomendo fortemente que conversem com os médicos que acompanham os seus entes queridos e questionem sobre as alternativas de tratamento. Com os recursos de que dispomos hoje em dia e com o conhecimento que temos a respeito dos impactos da sialorreia na saúde e na qualidade de vida dos pacientes, já não é mais concebível encarar esse sintoma como algo secundário e incontornável.

Essa publicação foi atualizada em 19 de janeiro de 2020 05:16

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
Caso deseje entrar em contato conosco, escreva para blogdavita@vitaclinica.com.br
Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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