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Acidentes em mergulho estão entre as principais causas de paralisia

Produzido por
Dr. Guilherme Foizer

Ortopedista e Traumatologista

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Por Guilherme Foizer,
Cirurgião da Coluna

O verão é a estação onde observamos um aumento do índice de tetraplegia por mergulho em águas rasas. Este quadro é aquele em que, após um trauma, há a perda de movimento e de sensibilidade do pescoço para baixo, de forma irreversível.

De acordo com estudo publicado pela USP- Ribeirão Preto, nesta época do ano, os acidentes em mar, cachoeiras e piscinas tornam-se a terceira principal causa dos novos casos de tetraplegia. Devido a natureza grave dessas lesões, muitos países de primeiro mundo investem alto na única maneira de diminuir essas estatísticas: a conscientização.

Jovens de gênero masculino são o alvo principal dessas campanhas, que desde 2007 também vêm ocorrendo no Brasil, tendo a última semana de novembro como a semana oficial de prevenção.

Em outras épocas do ano, os mergulhos malsucedidos ocupam o quarto lugar no ranking das causas de perda de movimento – ainda assim, é um índice alto, se pensarmos que são situações que muitas vezes podem ser evitadas.

Chamado tecnicamente de mergulho em águas rasas, a gravidade do trauma acontece devido à combinação de alguns fatores:

  • Geralmente as pessoas gostam de se lançar de locais mais altos, o que faz com que o corpo ganhe maior aceleração, aumentando ainda mais o seu peso (massa x aceleração) ao bater na água.
  • Em queda livre, ou após impulsionar-se para o mergulho, o indivíduo conta que a água fará o amortecimento do salto, mas se essa profundidade for menor do que a esperada, o corpo irá se chocar diretamente com o fundo ou com algum obstáculo, como uma pedra, por exemplo. Numa situação dessas, a coluna é diretamente afetada.
  • Muitas vezes, esses mergulhos são realizados após consumo de bebidas alcoólicas ou comida em excesso, levando a vítima a desmaios e afogamentos que podem deixar o quadro ainda mais complicado.
  • As pessoas no entorno, normalmente, não estão preparadas para o socorro e algumas manobras equivocadas neste momento podem agravar ainda mais a lesão.

Por tudo isso, o melhor a dizer sobre o tema é: aproveite o mar, a piscina, as lagoas e cachoeiras, mas banhando-se com cuidado. Deixe os saltos ornamentais para os atletas olímpicos.

Avise seus amigos. Conscientize-se de que esta é uma brincadeira que não tem graça e ajude a garantir que o verão de todos seja só de alegrias.

Essa publicação foi atualizada em 26 de agosto de 2019 13:33

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
Caso deseje entrar em contato conosco, escreva para blogdavita@vitaclinica.com.br
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Dr. Guilherme Foizer

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