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Cuidados para que o isolamento social não se transforme em solidão e abandono para os idosos

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Mesmo com a tendência atual de governos e sociedades afrouxarem a quarentena, a população idosa segue sob a recomendação de se resguardar e de manter o distanciamento social (enquanto os índices de proliferação do novo coronavírus seguirem altos, os cuidados devem ser mantidos, e até reforçados). Porém, passados já pelo menos três meses desde o início de todo esse processo, as condições em que se prolongam os confinamentos precisam ser (re)avaliadas com atenção, para que as próprias medidas de prevenção também não se convertam em riscos para a saúde desses indivíduos.

A fisiatra Midory Silvestre, integrante do Corpo Clínico da Vita e coordenadora do Centro de Referência do Idoso da Zona Norte de São Paulo

O cuidado com os idosos em tempo de pandemia e quarentena foi o assunto de uma live especial. realizada pela diretora clínica da Vita, Simone Amorim, com a fisiatra Midory Silvestre, integrante do nosso Corpo Clínico e também coordenadora médica do Centro de Referência do Idoso da Zona Norte de São Paulo. Acostumadas a lidar diretamente com o público sênior, as médicas trocaram informações sobre situações que observam no dia a dia de seus consultórios, oferecendo orientações e dicas práticas para esta próxima etapa de enfrentamento da pandemia.

Cumprir o isolamento social, sim. Abandono, não!

O termo “isolamento social” tem sido largamente utilizado no contexto da pandemia, referindo-se à necessidade de distanciamento físico, para diminuir os riscos de contágio entre as pessoas pelo novo coronavírus. Isso implica em abrandar de forma radical as atividades sociais, mas NÃO significa que ninguém deva ficar desassistido e afastado de uma rede de afeto e amparo.

“As pessoas próximas devem encontrar formas de manter contato. Isso é importante para que a pessoa não se sinta esquecida e contribui muito para estimular que ela se mantenha ativa, além de ajudar a monitorar como está transcorrendo a sua rotina, verificando se está tudo correndo bem ou se existe algum sinal de alerta que exige atenção e medidas especiais”, recomenda Midory.

Conforme sublinhado pelas médicas, por “pessoas próximas”, podemos entender não só os familiares, como também os amigos, os vizinhos de maior convivência ou até mesmo as redes de serviços que cuidem do bem-estar do público idoso, como no caso do Centro de Assistência onde atua a fisiatra e da Clínica Vita. Este é um momento de cuidarmos uns dos outros, encontrando formas de compensar as restrições do contato físico direto.

Videochamadas, contato visual e narrativas

O meio de comunicação também pode fazer muita diferença. Durante a live, Simone Amorim ressaltou que, do ponto de vista da Neurologia, os nossos dois grandes canais de recepção de informações são o auditivo e o visual. Sendo assim, ouvir a voz das pessoas de quem gostamos é muito bom, mas ter a oportunidade de vê-las, nem que seja por meio de uma tela, também.

Dra. Simone Amorim, diretora clínica da Vita, é neurofisiologista e atua no campo da Neurorreabilitação, com foco nas terapêuticas com toxina botulínica na área neurológica

“Sempre que possível, além dos telefonemas, vale a pena investir nas videochamadas com aquela pessoa que já está há um bom tempo sem a presença física dos seus entes queridos. Isso contribui para a liberação, pelo córtex cerebral, de uma série de substâncias químicas ligadas à satisfação e ao bem-estar”, explicou a médica.

Outros pontos destacados pelas especialistas em relação a essas oportunidades de contato foi o da observação atenta ao discurso e à forma de falar da pessoa idosa. “Muitas vezes, perguntar apenas se está tudo bem não resolve. Porque a pessoa responde que sim, mas, se damos mais tempo e oferecemos condições para ela falar mais sobre como está sendo o seu dia a dia, aí sim conseguimos entender se está tudo dentro da normalidade ou se há sinais de alerta”, sublinhou Midory.

Além dos fatos concretos narrados pelo idoso, a sua forma de falar, assim como o seu discurso, também podem dizer muito sobre os impactos da nova realidade enfrentada sobre a sua saúde (tanto no aspecto físico, como psicossocial). Alterações no estilo da fala (passando a ser demasiadamente acelerada ou, então, cansada, lenta e desanimada, por exemplo), assim como a expressão de certas ideias e sentimentos, merecem sempre atenção.

Desabafar um certo descontentamento é natural nesta fase, mas o pessimismo e a desesperança exacerbados podem indicar um quadro depressivo, assim como atitudes que denotam revolta e irritação. Não é raro que esses sentimentos desestimulem que a pessoa prossiga com um cotidiano ativo e chegue, até mesmo, a abandonar os cuidados regulares com a saúde, descontinuando medicações, descuidando da alimentação, etc. As alterações de sono também podem estar presentes e, sem uma intervenção precoce, os problemas tendem a se sobrepor e se agravarem cada vez mais (clique aqui para ler mais sobre os impactos da pandemia sobre a saúde mental).

Problemas crônicos e tratamentos continuados

As estatísticas apontam que 40% dos idosos têm alguma doença crônica (como diabetes, hipertensão, problemas reumáticos, osteoporose, Parkinson, etc.) e 30% têm pelo menos duas doenças coexistentes. Essas também são razões mais que suficientes, segundo as médicas, para que esse público não descontinue ou adie os seus tratamentos de saúde.

Os períodos de retorno aos especialistas, seja para apresentar exames, seja para as consultas para o acompanhamento da evolução dos quadros clínicos não devem ser demasiadamente estendidos. “Já vamos no terceiro mês da pandemia no Brasil e isso, para inúmeros quadros, pode ser um período muito longo para não retornar ao médico ou não ter a sua situação avaliada”, observou Simone.

Neste momento, a Clínica Vita já retomou os atendimentos e procedimentos eletivos, além de prosseguir com o telemonitoramento de inúmeros pacientes.

Chave está na manutenção da qualidade de vida

Para as especialistas, a chave para que o idoso possa atravessar essa fase sem maiores complicações está na manutenção da qualidade de vida, dentro das possibilidades oferecidas pela nova realidade. Para isso, é preciso sempre avaliar cada situação individualmente, com sensibilidade e empatia. Alguns pontos a serem considerados:

Adequação de espaços: o ambiente deve ser o mais seguro possível, sendo especialmente importantes itens como corrimões onde houver degraus ou rampas, apoio no boxe e revisão da posição de objetos que possam causar acidentes (como tapetes, mesinhas de centro, enfeites, etc.). Quando a convivência ocorre em espaços onde tem crianças (e brinquedos) e pets, é interessante estabelecer áreas seguras de circulação. A orientação de um terapeuta ocupacional pode ser muito bem-vinda nesses casos.

Rotina ativa: as medidas de prevenção à Covid-19 são muito importantes, e como o vírus ainda continua circulando entre a nossa população, o jeito é procurar fazer adaptações para que a pessoa possa seguir com uma rotina ativa, dentro de suas possibilidades. Atividades externas, como saídas para compras, bancos e etc., ainda seguem contraindicadas. Uma forma de compensar é estimular a adoção de hobbys e atividades em casa que sejam estimulantes e prazerosos, tais como: trabalhos manuais, jardinagem, montagem de puzzles, costura, etc.

Exercícios: a atividade física é muito importante para o idoso. Vale a pena estabelecer um pequeno programa de treino em casa, com movimentos seguros, orientados por profissionais de áreas como Fisioterapia ou Educação Física, para evitar o sedentarismo e as suas consequências para a saúde (como perda de massa muscular, diminuição da massa óssea, aumento de colesterol e glicemia, aumento da pressão, etc.). Se houver uma área no bairro livre de aglomerações, até mesmo uma pequena caminhada/passeio pode ser feita (sempre de máscara e com todos os demais cuidados de higiene, para evitar os riscos de contaminação).

Internet: a Internet pode ser uma grande aliada nesta fase, principalmente para as videochamadas e a troca de mensagens com parentes e amigos. Redes sociais como Instagram e Youtube também podem ser utilizadas para que a pessoa poste fotos e vídeos sobre a sua rotina. Mas tudo isso também exige cuidado, valendo, nesses casos, contar com o suporte de alguém da família que possa orientar e ajudar com os dispositivos de segurança e as políticas de privacidade, além de se conversar também sobre a questão das fake news, da presença de haters e polarizações de ideias presentes nesses canais.

Visitas: o contato presencial faz falta a qualquer pessoa. Com bom senso e empatia, a família pode encontrar meios de fazer esse contato, sem colocar o idoso em risco. Vá até o portão dar um olá de longe, por exemplo. Ou então até programe uma visita (preferencialmente depois de se orientar com um profissional de saúde que acompanha a família), usando máscara e saindo de casa de roupa limpa e trocada, sem fazer paradas em outros lugares antes da ida até a residência do idoso. Ao chegar, adote os mesmos cuidados adotados em sua casa (lavar as mãos, deixar os sapatos na entrada, não entrar com objetos, compras ou presentes que não tenham sido higienizados, etc.), não tire a máscara e mantenha a distância física. As pessoas da casa também deverão estar de máscara.

Essa publicação foi atualizada em 28 de junho de 2020 11:30

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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