Fonoaudióloga da Vita também brilha nos palcos como cantora

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Foi a paixão pela música e por técnicas de vocalização que a levou para os caminhos da Fonoaudiologia. E é sem dissociar as duas áreas que a fonoaudióloga Simone Sperança, que agora integra também o Corpo Clínico da Vita, administra a sua trajetória profissional. No consultório, ela aplica muito do que sabe e vivencia no campo musical (ajudando, inclusive, muitos cantores e outros profissionais da voz a se aprimorarem) e, nos palcos, junto com a sua parceira de dupla sertaneja, Tais Picinini, que também é fonoaudióloga, ela solta a voz, conciliando o talento natural com todo o seu conhecimento técnico.

Estreando esta nova série do Blog da Vita, na qual todos os meses vamos apresentar um dos profissionais da nossa equipe, Simone Sperança conta sobre a sua formação e sobre o trabalho que desenvolve na clínica, com técnicas terapêuticas específicas em áreas como Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC) e no campo da Neurorreabilitação, além de sua atuação como “coach” vocal, junto a profissionais que vivem da voz.

VITA – Conforme o seu curriculo resumido, que temos aqui no site da Clínica Vita, você tem uma especialização como musicista, sendo especialista em Dueto de Vozes. Além disso, você atua também como cantora, formando uma dupla sertaneja com outra fonoaudióloga. Conte-nos sobre como as duas coisas surgiram na sua vida: a Música e a Fonoaudiologia. Qual delas veio primeiro em sua trajetória?

SIMONE – Nasci em uma família urbana com bases rurais. Aprendi a ouvir música caipira desde muito cedo, com os meus pais entoando duetos em primeira e segunda voz. Sou a segunda filha em um total de cinco irmãos, e foi nas festas de aniversários lá em casa – animadas por violeiros como Tião do Carro, Ronaldo Viola, João Mulato, e por cantores de dueto como Camões e Camargo, Liu e Leu, Carreiro e Carreirinho, Zico e Zeca – que me interessei em aprender a cantar em segunda voz. Passava horas com os fones de ouvidos, buscando ouvir a segunda voz do dueto. A atenção focada era grande, a fim de não perder nenhuma nuance de frequência sonora. A distância que uma voz tinha da outra e a forma como as duas vozes se harmonizavam era algo que eu achava lindo, mas me perguntava: “como era possível fazer aquilo?” Então, com a ajuda da minha mãe e desses cantores profissionais, comecei a experimentar-me na construção do tal “dueto caipira”. Minha mãe fazia a primeira voz e eu buscava harmonizar a minha voz na dela (eu achava muito difícil manter a atenção em minha própria voz, já que era importante ouvir as duas vozes juntas, para produzir um dueto harmônico). Após dois anos, entre erros e acertos, o dueto surgiu em minha mente, como mágica! A partir daí, ficou fácil “duetar”, com qualquer pessoa e em qualquer música, mesmo naquelas que eu nunca havia escutado e, devido a essa facilidade, passei a ser procurada para ensinar a técnica a novos cantores. Nessa altura, eu usava com eles as mesmas técnicas de atenção seletiva que havia desenvolvido em meu próprio aprendizado. Assim, a fim de conhecer mais sobre os processos de produção vocal, que busquei a graduação em Fonoaudiologia e prossegui atuando nesse segmento da voz profissional cantada, expandindo meus conhecimentos com a ajuda de todo o embasamento clínico e científico.

Simone Sperança e Tais Picinini: a dupla caipira formada por fonoaudiólogas, durante apresentação em programa de TV


VITA – Você é paulista? De qual cidade? Como surgiu a parceria com a Clínica Vita?

SIMONE – Nasci em Guarulhos, mas fui criada na Zona Norte de São Paulo, mais especificamente no bairro do Tucuruvi. A parceria com a Clínica Vita surgiu através de uma amiga em comum que tenho com a Dra. Simone Amorim (diretora clínica da Vita), a fonoaudióloga Joyce Fialho, que conheci na Universidade Federal de São Paulo, durante minha pós-graduação em Distúrbios da Comunicação Humana. Joyce integra a equipe da Vita e, em 2018, saiu de licença-maternidade e me pediu para cumprir os compromissos que havia em aberto com os pacientes que estavam em Treinamento Auditivo Acusticamente Controlado (TAAC) – popularmente conhecido como Treino do Processamento Auditivo em Cabine. Agora, também integro a equipe, como fonoaudióloga responsável pelo setor de Audiologia (área que abrange a audição periférica e central).

VITA – Então, além de sua especialização como musicista, você também tem um mestrado em Distúrbios da Comunicação Humana. Fale para nós sobre o foco dessa formação e da sua atuação nesse campo.

SIMONE – O campo chamado Distúrbios da Comunicação Humana engloba todos os problemas que afetam a capacidade de comunicação (dos seres humanos), que podem ocorrer por questões de ordem fisiológica, estrutural ou psicológica. Podem ocorrer nas funções da linguagem, fala, voz, deglutição, motricidade, audição, equilíbrio e de alterações na região da cabeça e do pescoço. O foco do meu mestrado foi em Processamento Auditivo (que faz parte da grande área da Audiologia), mesclado com a área da música, com foco na Voz Profissional Cantada – duetos vocais.

VITA – Atualmente, além dos atendimentos na Clínica Vita, como é sua rotina profissional?

SIMONE – Hoje eu também supervisiono as alunas do quarto ano de Fonoaudiologia da UNIFESP, no Ambulatório de Processamento Auditivo Central (PAC) e participo das supervisões de casos com minha orientadora de mestrado, Dra. Liliane Desgualdo Pereira. Em decorrência do conhecimento dos duetos vocais e de todo o estudo desenvolvido no mestrado, abri uma porta a mais no campo musical, onde, além de cantar em apresentações audiovisuais, também faço a preparação e produção vocal de cantores para gravações de CDs e DVDs. Costumo dizer que trabalho onde canto e que canto onde trabalho, porque também uso muito a música para realizar o Treinamento Auditivo Acusticamente Controlado (TAAC) na Clínica Vita, com atuação junto aos pacientes.

VITA – E tem mais cursos ou formações em vista? Como estão seus planos/projetos por agora?

SIMONE – Tenho mais formações em vista. Pretendo continuar na área acadêmica. Agora em busca do doutorado. Também faço diversos cursos de atualizações e aprimoramento em Neurocognição, sendo que o mais recente foi agora, em novembro de 2019, sobre “Novas Técnicas Complexas na Habilitação Motora-Cognitiva – Uma Abordagem Luriana”, com a russa Irina Shevchenko, Phd em Neuropsicologia Infantil. Além disso, também pretendo organizar dois cursos: o primeiro terá como tema a Triagem do Processamento Auditivo Central, para oferecer aos pedagogos, psicólogos e professores do ensino fundamental e médio, e o segundo, penso em oferecer aos professores e profissionais da voz, englobando técnicas de aprimoramento, promoção e prevenção da saúde vocal.

VITA – Hoje, além dos profissionais que vivem da voz, temos também a realidade da comunicação audiovisual pelas redes sociais. Muita gente gravando podcasts, vídeos, fazendo lives, etc. Que dicas gerais você daria para quem deseja melhorar o uso e a colocação da voz nessa nova realidade em que vivemos?

SIMONE – No caso dos profissionais – ou de qualquer pessoa que faça um uso mais intenso e exigente da voz -, é muito importante ser avaliado anualmente por um otorrinolaringologista, realizando exames de laringoscopia (para saber a condição de saúde das estruturas utilizadas para a produção vocal) e realizar também Audiometria e Impedanciometria (para saber as condições da audição). Como dicas gerais, destaco que vale a pena investir em: dar atenção a uma boa hidratação (ingerir no mínimo 2 litros de água por dia), em uma alimentação bem balanceada (o consumo de alguns alimentos pode influir diretamente na qualidade vocal) e no aprendizado e realização de aquecimento vocal simples, 30 minutos antes de usar a voz.

VITA – Aliás, falando em redes sociais, quem segue os nossos canais também tem a oportunidade de acompanhar alguns vídeos seus, falando sobre temas da Fonoaudiologia! Recentemente, no Instagram, você falou sobre o Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC), despertando o interesse de muitos internautas para o assunto. Esse é um quadro comum?

SIMONE – O Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC) engloba as alterações das habilidades auditivas centrais, dos mecanismos fisiológicos de: Atenção Seletiva (figura-fundo em escuta monótica, dicótica e fechamento), do Processamento Temporal (ordenação e resolução de tempo e frequência) e da Interação Binaural (localização). Ele pode (e muitas vezes está) associado a outras alterações, como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), os Transtornos do Espectro Autista (TEA), dentre outros. Cuidadores, professores e pais devem estar atentos a sintomas como: alterações de memória, dificuldade de compreender a conversação em ambiente ruidoso, baixo desempenho escolar, trocas de fonemas na fala e de grafemas na escrita, além de dificuldades de leitura e escrita.

VITA – Existem fatores de risco para o TPAC?

SIMONE – Sim. Dentre eles, podemos destacar, por exemplo, crianças que apresentaram ou apresentam inflamações e infecções de vias aéreas superiores (otites de repetição, otites silenciosas, etc.), prematuridade, baixo peso ao nascer, falta de oxigenação no parto, internações na primeira infância (de 0 a 6 anos). Mas cabe ressaltar que nenhum desses fatores levará necessariamente ao TPAC e que o quadro também pode acontecer em uma criança que não passou por nenhum desses eventos.

VITA – Também há muitos adultos que convivem com esse transtorno (o TPAC) e que nunca foram corretamente diagnosticados, não é mesmo?

SIMONE – Em adultos, as queixas mais comuns que indicam Transtorno do Processamento Auditivo Central são: dificuldade para aprender uma segunda língua, falta de ritmo para aprender música ou dança, dificuldade de compreender piadas ou frases de duplo sentido e dificuldade para compreender discursos em ambientes ruidosos. Além disso, essas pessoas também costumam apresentar dificuldades para organizar agendas semanais e se sentem especialmente esgotadas ao participar de congressos, reuniões e de todos os tipos de eventos que exigem habilidades auditivas.

VITA – Aqui na Clínica Vita, além das abordagens em torno do TPAC, há também uma vertente muito forte no campo da Neurorreabilitação. Nessa área, em que já atuamos e somos referência há mais de 10 anos, muito se fala sobre a importância da multidisciplinaridade, com destaque especial para a Fonoaudiologia. Como profissional, como você avalia e sente o nível geral de conscientização das pessoas em relação à atuação do fonoaudiólogo nesse segmento?

SIMONE – O fonoaudiólogo sempre é bem-recebido por equipes multiprofissionais, devido à nossa ampla área de atuação e o quanto podemos contribuir para a reabilitação, prevenção e promoção da saúde. O Conselho Federal de Fonoaudiologia reconhece 12 grandes áreas de atuação para o fonoaudiólogo, e muitas delas passam pela integração em processos e abordagens no campo da Neurorreabilitação, como no caso da disfagia, que é uma alteração da deglutição de alimentos sólidos ou líquidos (sintoma muito comum em pessoas que sofreram traumas em regiões da cabeça e pescoço, AVCs, demências, doenças neuromusculares, intubação orotraqueal prolongada, e câncer de cabeça e pescoço, etc.) e dos quadros relacionados à Gerontologia, que englobam a reabilitação das habilidades de comunicação, deglutição, audição, miofuncional decorrentes da idade. E há também, especificamente, a Fonoaudiologia Neurofuncional, que engloba a reabilitação de pessoas em diferentes ciclos de vida, com alterações neurofuncionais decorrentes de sequelas resultantes de danos ao sistema nervoso central ou periférico. Nesses aspectos, com o público geral, o trabalho mais importante a fazer em termos de conscientização é o de trabalhar a compreensão de que a reabilitação de habilidades afetadas tem melhores prognósticos quanto mais cedo são iniciados os processos terapêuticos. Isso é algo muito importante de enfatizarmos, e insistimos para que familiares, pacientes e até profissionais de saúde entendam e promovam, cada vez mais, esses acessos àqueles que necessitam.

Apresentação das fonoaudiólogas no programa Brasil Caipira

Essa publicação foi atualizada em 29 de novembro de 2019 12:18

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