A presença do novo coronavírus entre a população mundial vai se desenhando como um dos maiores desafios já enfrentados pela Medicina moderna. Se, por um lado, temos a necessidade emergencial de conter a sua disseminação, por outro, resta ainda o desafio de conhecermos melhor o comportamento da patologia e descobrir formas mais eficazes de tratá-la. As complicações podem ser só em uma pequena parcela dos casos, mas engana-se quem pensa que os maiores riscos estão restritos às pessoas com idade mais avançada ou com o organismo fragilizado.
Embora em menor número, há registros de complicações e mortes entre jovens saudáveis – inclusive no Brasil! Noutros países, também já chegaram a morrer até crianças.
Embora não sejam nas mesmas proporções dos idosos, há muitos casos no mundo de complicações e mortes de jovens por covid-19
Atenta às publicações científicas que saem sobre o assunto, a diretora clínica da Vita, Simone Amorim, enfatiza que é um grande erro comparar a covid-19 (a doença causada pelo coronavírus) a uma “gripezinha”, apesar dos sintomas nos casos leves se assemelharem aos de um resfriado.
“É preciso entender que estamos perante um novo e agressivo vírus, que, quando encontra brechas nos sistemas de defesa do organismo, consegue se multiplicar e migrar para os pulmões, causando grandes estragos por ali, a ponto até de levar à morte”, salienta a médica, lembrando que, muitas vezes, as pessoas se consideram saudáveis porque se alimentam bem, praticam exercícios, etc., mas isso não significa que estejam blindadas.
Brechas existentes no sistema imunológico podem colocar qualquer pessoa no grupo de maior risco frente ao coronavírus
Arriscar-se a pegar o vírus é, portanto, um jogo perigoso. Quem ainda não entendeu a responsabilidade social de colaborar para a contenção da epidemia, tomando as devidas medidas profiláticas e ficando em casa o máximo possível, para não servir de potencial vetor de disseminação do vírus, deve lembrar que não há 100% de garantia para ninguém de que a infecção venha a se apresentar na sua forma mais branda.
Outro ponto de grande equívoco é o do entendimento de quem está incluído no chamado grupo de maior risco – isto é, daquelas pessoas que, neste momento PRECISAM estar em isolamento absoluto, para diminuir ao máximo as chances de contágio.
“O idosos com mais de 60 anos são um grupo de risco pela menor efetividade natural do sistema imunológico. Mas é muito importante salientar que existe uma lista de outras situações que podem colocar as pessoas nesse grupo”, explica Simone, lembrando especialmente das pessoas que enfrentam doenças crônicas. Dentre elas, a médica lista:
Simone destaca ainda que, embora algumas doenças em si não coloquem determinados pacientes no grupo de risco, o uso regular de alguns medicamentos pode fazê-lo. É o caso de pessoas que tratam de doenças autoimunes, como lupus ou vitiligo, que muitas vezes tomam medicações imunossupressoras, pois elas reduzem as respostas do sistema imunológico.
A dica da médica para que os pacientes nessas situações é de que NÃO suspendam os seus tratamentos por conta própria e que busquem orientação com os médicos que acompanham os casos, antes de qualquer alteração de conduta. Além disso, é fundamental seguir as recomendações para se resguardar no ambiente doméstico.
Essa publicação foi atualizada em 27 de março de 2020 13:51
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