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Após traumatismo do filho, apresentador faz apelo pelo uso de capacetes

O alerta é de quem acabou de passar por um susto daqueles: em suas redes sociais, o apresentador Luciano Huck chama a atenção para a importância do uso de capacetes por crianças e adolescentes na hora de praticar esportes ou brincadeiras que envolvam velocidade e/ou riscos de traumas. O seu filho Benício, de 11 anos, que já está fora de perigo, sofreu um traumatismo craniano durante uma brincadeira aquática e teve de passar por uma neurocirurgia de emergência.

Nas suas redes sociais, o apresentador mostrou o exame de imagem do traumatismo sofrido pelo filho, fazendo um alerta aos pais

A neurologista infantil e neurofisiologista Simone Amorim não só endossa o alerta, como vai além. “Acidentes acontecem mesmo, e nem sempre podemos evitá-los. Mas existe uma série de medidas que podemos tomar para a prevenção. Criança aprende brincando e é muito bom deixá-las explorarem o mundo à sua volta. Mas cabe a nós, adultos, tomarmos providências para que o ambiente seja seguro e ensinar desde cedo que normas de segurança devem ser respeitadas”, frisa.

Com as férias de julho aí, a médica lembra que não são incomuns cenas de pais que viajam com filhos de várias idades a parques temáticos e tentam, por exemplo, insistir com monitores que crianças tenham acesso a brinquedos que não são adequados à sua faixa etária ou estatura. “Normas de segurança são estabelecidas sempre por alguma razão. Elas estão lá para serem respeitadas. O mesmo acontece com o uso de capacetes, coletes e outros equipamentos necessários para desportos ou brincadeiras. Eles fazem parte da indumentária da atividade justamente para, em caso de acidente, minimizar os danos”, explica.

Traumatismos na cabeça, no pescoço e na coluna vertebral são situações que assustam muito os pais e que, de fato, podem ser bem graves. Segundo Simone, o risco de uma lesão como a sofrida pelo filho do casal de artistas não está tanto naquilo que vemos na imagem do osso fraturado, mas em áreas do cérebro que podem ser atingidas e lesionadas em consequência de um choque como esse, muitas vezes causando danos fatais ou irreversíveis.

A neurologista, cujo foco de atuação é especializado no campo da Neurorreabilitação de pacientes de todas as idades, aproveita também para chamar a atenção em relação aos riscos para a coluna vertebral, por onde passam nervos delicadíssimos. Traumas nessa região podem também resultar em danos permanentes. “No próprio universo desportivo temos casos assim, como o da ex-ginasta Laís Souza. Além disso, todos os anos são muitos os casos de acidentes graves envolvendo jovens que se lesionam com brincadeiras, como os mergulhos em águas rasas, por exemplo”, salienta a médica.

São, portanto, casos e mais casos onde vale a máxima: prevenir é melhor do que remediar!

VEJAMOS ALGUNS CUIDADOS IMPORTANTES EM CADA FAIXA ETÁRIA:

Bebês até 2 anos: nesta fase, a criança costuma estar prioritariamente no ambiente doméstico ou creche. Mesmo assim, o olhar atento de um adulto é fundamental nos momentos de exploração do ambiente, pois é uma faixa etária de grande curiosidade e significativos ganhos motores, mas sem nenhuma noção de perigo. É muito importante assegurar que móveis como estantes, prateleiras, aparadores e afins estejam bem presos à parede, pois o bebê se apoia em tudo o que vê e pode facilmente virar um móvel sobre si. A criança também não deve ser deixada sozinha sobre superfícies altas, como cadeiras de alimentação, cama sem barra protetora, etc.

Dos 2 aos 6 anos: fase de brincar nos plays, praças e parquinhos, que estão cheios de brinquedos pensados para oferecer desafios que estimulam o desenvolvimento e a coordenação motora. As crianças adoram isso e, de fato, esses são processos muito importantes para o ganho de habilidades e força. Mas a proximidade atenta de um adulto responsável, dando o suporte necessário para evitar quedas e traumas, também é fundamental. Outra medida que cabe aos responsáveis é estarem atentos às condições dos brinquedos, antes de deixar a criança explorá-los. Notando instabilidade, partes soltas e falta de manutenção, melhor avisar à administração do local e procurar outra área para a brincadeira.

Dos 6 aos 12 anos: dessa fase em diante, progressivamente vão crescendo os interesses por brinquedos e atividades que envolvem velocidade e maior risco de traumas. Aprende-se a andar de bicicleta, muitas vezes vem o gosto pelo skate, o patinete, os carrinhos de rolimã e tantas outras brincadeiras que, cada vez mais, vão desafiar os limites. Cabe aos pais e instrutores exigirem o uso de equipamentos de segurança e monitorar as atividades.

TRANSPORTE

Até os 7,5 anos de idade, o transporte de crianças em veículo automotor deve ser feito em cadeirinhas e/ou assentos de adequação específicos para cada faixa etária (conforme o Código de Trânsito Brasileiro). Depois disso, sempre no banco de trás e com cinto de segurança. Banco da frente, só a partir dos 11 anos, e sempre com cinto!

ATIVIDADES AQUÁTICAS

Desde os primeiros meses de vida, a natação é uma atividade muito bem-vinda para desenvolver a coordenação motora e fortalecer os pulmões. Além disso, saber nadar é uma habilidade desejável, que oferece melhores condições para as brincadeiras na água.

Mas, por outro lado, é muito importante orientar desde cedo quanto aos riscos de traumas na própria piscina, no mar, em rios, cachoeiras, etc., educando para que as brincadeiras sejam feitas de forma responsável. O chamado mergulho em águas rasas é causa de inúmeros acidentes fatais ou com traumatismos que deixam sequelas para o resto da vida.

QUANDO PROCURAR AJUDA MÉDICA?

Há alguns fatores que aumentam a probabilidade de haver lesão cerebral e, quando presentes, implicam sempre uma observação médica urgente. Os mais importantes são os seguintes:

– Impacto de alta energia (impacto forte na cabeça ou em qualquer região do corpo);

– Queda de mais de 1m de altura em crianças menores de 2 anos;

– Queda de mais de 1,5m de altura em crianças maiores de 2 anos;

– Ser atingido na cabeça por projétil em alta velocidade;

– Acidente automobilístico;

– Atropelamento;

– Perda de consciência (desmaio) ou sonolência excessiva após o trauma;

– Convulsões após o trauma;

– Amnésia (perda de memória);

– Vômitos após o trauma;

– Fratura craniana (a confirmação de uma fratura do crânio tem de ser sempre feita com base num exame de imagem, mas pode ser suspeitada sempre que houver um afundamento ósseo ou um hematoma mole, pois, geralmente, depois do traumatismo surge um hematoma duro);

– Alterações neurológicas (perda de força de um membro, alteração na fala, desequilíbrio, pupilas com tamanhos assimétricos, etc.);

– Perda de líquido ou sangue pelo nariz e/ou pelos ouvidos.

Essa publicação foi atualizada em 5 de julho de 2019 12:24

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