Como são classificados os casos dentro do Espectro Autista?

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Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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Quando uma família se depara com um diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA), os questionamentos são naturais – e muito bem-vindos, pois o esclarecimento é fundamental para se lidar adequadamente com a neurodiversidade. Algumas perguntas, inclusive, são pistas importantes para se detectar paradigmas e conceitos que merecem revisão, e que precisarão ser trabalhados.

“- Dr./Dra., qual é o grau de autismo do meu filho?”

Essa costuma ser a primeira questão ouvida pelos especialistas, assim que apresentam aos pais ou responsáveis um caso de TEA, conforme a experiência da neurologista infantil Flora Orlandi, integrante do Corpo Clínico da Vita e grande estudiosa do assunto.

A dúvida clássica parte de uma ideia preconcebida de que as capacidades e/ou dificuldades de um indivíduo inserido no espectro são imutáveis, e de que, quanto mais elevado vier a ser esse suposto marcador (o tal “grau do autismo”), mais difícil (ou até impossível) seria a interação com o meio, assim como um desenvolvimento adequado que permita a independência e a autonomia. Entretanto, hoje, os parâmetros são outros.

“Muita gente ainda fala em autismo leve, moderado ou grave. Mas a última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM-V, que define os critérios diagnósticos do TEA, não utiliza essa classificação”, explica a neuropediatra. Atualmente, segundo Flora, o que se busca avaliar é o nível de suporte que a pessoa necessita. Além disso, entende-se que tais níveis podem vir a ser alterados, mediante o recebimento de estímulos e de intervenções terapêuticas adequadas.

Os especialistas hoje classificam o TEA conforme o nível de suporte que a pessoa necessita, sendo que isso também pode ser mutável

Áreas críticas e evolução

Sendo assim, a classificação atual baseia-se nas necessidades que a pessoa avaliada apresenta nas áreas consideradas críticas dentro do espectro (como a comunicação, a linguagem e os comportamentos restritos e/ou repetitivos). “Considera-se que um paciente Nível 1 precisa de pouco suporte; o Nível 2, de um suporte intermediário; e o Nível 3, de muito suporte, para quesitos como: manter uma comunicação socialmente adequada e ser capaz de realizar atividades sem se engajar em comportamentos restritos e repetitivos”, detalha Flora.

À medida que o paciente desenvolve novas habilidades, através dos estímulos das terapias, essa classificação pode, inclusive, se modificar, conforme salienta a especialista.

Exatamente por isso, é muito importante que a identificação de sinais do TEA seja feita o mais cedo possível. “A oferta do suporte terapêutico adequado, tão logo seja possível, faz uma enorme diferença para um bom desenvolvimento desses indivíduos”, sublinha a médica.

Conscientização sobre a neurodiversidade

O mês de abril é mundialmente dedicado à conscientização sobre o espectro autista. Em artigo publicado aqui, no Blog da Vita (leia o texto na íntegra NESTE LINK), por ocasião do Dia Mundial do Autismo (02/04), Flora assinalou uma sentença cada vez mais prevalente nas pesquisas e propostas terapêuticas direcionadas a esse universo: “autismo não se cura, se compreende”.

A neuropediatra Flora Orlandi chama a atenção sobre a importância de se esclarecer as pessoas sobre o conceito de neurodiversidade

Aqui, a proposta de “compreensão” deve ser entendida tanto dentro do conceito de acolhimento e aceitação, como também dentro de uma definição mais alargada, onde é fundamental aprofundar o conhecimento acerca da neurodiversidade humana. Assim, o primeiro ponto a ser compreendido é o de que autismo NÃO é uma doença.

De acordo com a definição clínica, o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, “caracterizado por dificuldades na interação social e na linguagem, associado a padrões de comportamento repetitivo, interesses restritos e respostas atípicas a estímulos sensoriais”. Estima-se que pelo menos 1% da população mundial esteja dentro desse espectro.

Tratamento baseado em terapias

Não ver o quadro como uma doença e não pensar em termos de cura, são atitudes que não invalidam, entretanto, que se busque e se estabeleçam tratamentos que visem auxiliar o desenvolvimento, a adaptação social e a autonomia das pessoas inseridas no espectro. “Hoje, a visão científica em relação ao que de melhor pode ser oferecido a esses pacientes é o acesso a terapias de alta intensidade, com equipe multiprofissional especializada e qualificada, especialmente nas técnicas baseadas na Análise de Comportamento Aplicada (ABA)”, explica Flora.

Segundo a médica, ao se falar em “terapias de alta intensidade”, o que se pretende é gerar o entendimento de que o dia a dia desse paciente deve ser terapêutico.

“Além da terapia ABA, que geralmente é aplicada por psicólogos, podem ser indicadas ainda terapias com fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, psicopedagoga, dentre outros especialistas, conforme a necessidade individual de cada um”, detalha a neuropediatra, lembrando que as famílias também precisam ser devidamente orientadas e, até mesmo, capacitadas para poderem lidar de forma mais assertiva com um ente atípico.

Em muitos casos, as medicações também podem entrar em cena, para um melhor manejo de sinais e sintomas associados ao TEA (como agitação, agressividade e impulsividade). Porém, deve-se ter em vista que os fármacos são auxiliares na melhoria das condições do paciente, visando sempre um melhor aproveitamento das terapêuticas oferecidas.

Como é feito o diagnóstico

NÃO existem exames de imagem ou laboratoriais com marcadores biológicos que identifiquem o Transtorno do Espectro Autista. O diagnóstico é feito a partir de avaliações multidisciplinares, baseadas em critérios clínicos descritos no DSM-V.

Dra. Flora esclarece ainda que NÃO existe uma idade mínima estabelecida para se fazer essa avaliação. “Estudos mostram que com 16 meses de idade já é possível realizar o diagnóstico de forma precisa, mas podemos observar sinais de alarme antes mesmo de a criança completar um ano de vida”, afirma.

SINAIS PRECOCES DO TEA

– Presença de “birras” e dificuldade para aceitar mudanças;
– Atraso de linguagem e desenvolvimento de habilidades sociais;
– Não virar-se ao ser chamado;
– Não apontar com 14 meses;
– Não apresentar um brincar imaginativo com 18 meses.

Essa publicação foi atualizada em 24 de abril de 2021 14:35

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