Enxaqueca é a segunda doença mais incapacitante do mundo

Dados atualizados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) neste ano apontam a enxaqueca como a segunda maior causa de incapacidade em todo o mundo, e a primeira nos países da Europa ocidental e na Austrália. De forma global, a doença fica atrás apenas dos casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) como maior causadora de incapacidade laboral e de limitações na vida social e nas interações interpessoais.

A enxaqueca já é hoje reconhecida pelas autoridades de saúde como uma das doenças mais incapacitantes do mundo

O estudo “Global Burden of Diseaes”, que pode ser acessado no portal da Sociedade Brasileira de Cefaleias (SBC), destaca a prevalência mundial das doenças neurológicas como razão para a perda de funcionalidade pelas pessoas. São consideradas incapacitantes aquelas patologias que limitam ou impedem o pleno desempenho em atividades profissionais e que imponham limitações para o convívio e a interação nos meios sociais e na vida privada.

Especialista em Neurorreabilitação e na terapêutica com toxina botulínica para o tratamento da enxaqueca, a neurofisiologista Simone Amorim salienta a importância da divulgação desses dados para uma maior conscientização sobre a realidade enfrentada pelos pacientes.

“Muitas doenças neurológicas causam comprometimentos sérios e visíveis, seja na parte motora, seja na parte cognitiva. Nesses casos, embora ainda exista também uma luta muito grande a ser travada para a inclusão, temos conquistado uma aceitação social cada vez maior acerca das necessidades especiais das pessoas afetadas. Mas no caso do enxaquecoso não é assim. É muito difícil para esses pacientes ter a sua condição e, até mesmo, o seu direito ao tratamento reconhecidos. Porque o seu sofrimento não é visível ou facilmente reconhecível para quem está de fora”, observa a médica.

Cientificamente chamada de migrânea crônica, a enxaqueca é um dos tipos mais comuns de cefaleia (dor de cabeça), atingindo cerca de 30% da população. A patologia envolve uma ampla lista de sintomas (com manifestações antes, durante e após as crises) e também costuma vir acompanhada de diversas comorbidades, sendo a depressão a mais prevalente.

“Nas pessoas que sofrem de enxaqueca e que não estão recebendo um tratamento adequado para o controle do quadro, os prejuízos para a qualidade de vida costumam ser enormes”, salienta Simone.

Com crises recorrentes e sintomas que vão muito além da ocorrência de dores pontuais, essas pessoas sentem um grande impacto na sua capacidade produtiva e não é raro relatarem também diversos prejuízos nas suas relações pessoais. O tratamento adequado, por sua vez, embora não cure a doença, consegue manter sob controle a frequência e a intensidade das crises, dando ao paciente melhores condições de desempenhar com sucesso as atividades cotidianas.

Hoje, o ciclo terapêutico com injeções de toxina botulínica é visto como padrão-ouro nesse sentido, proporcionando as condições ideais para que a pessoa possa avançar no conjunto de medidas necessárias para deixar de estar refém da patologia.

“Tratar a enxaqueca traz mais qualidade de vida. Mas também é muito importante lembrar que, por outro lado, medidas que proporcionem melhor qualidade de vida – tais como: prática regular de atividade física, sono reparador, alimentação bem balanceada e boa gestão dos níveis de estresse – também são fundamentais para o controle da patologia. Essa é uma via de mão-dupla!”, conclui a Dra. Simone.

Essa publicação foi atualizada em 15 de maio de 2019 10:09

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