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Controle da epilepsia: receitas cetogênicas adaptadas ao perfil brasileiro e oficinas para as famílias

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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Março, que anualmente é dedicado à Conscientização da Epilepsia (o Purple Day foi celebrado no último dia 26), chegou ao fim, mas o engajamento em torno do tema prossegue. A nutricionista Lenycia Neri, juntamente com mais quatro coautoras, acaba de publicar um artigo na revista científica trimestral Revisa, mostrando como o suporte nutricional e as experiências práticas bem orientadas podem ajudar as famílias a aderirem com mais facilidade a programas de dieta cetogênica, a fim de propiciar um melhor controle das crises e  uma melhor qualidade de vida para pacientes epilépticos.

A nutricionista Lenycia Neri no consultório da Clínica Vita, em São Paulo

O trabalho “Projeto-piloto para implantação de uma cozinha cetogênica para o tratamento da epilepsia refratária” descreve a criação bem-sucedida da primeira cozinha experimental brasileira focada no suporte aos familiares de pessoas com epilepsia, contando com o desenvolvimento de receitas e a possibilidade de participar de oficinas para maior conhecimento das técnicas de confecção dos pratos.

A experiência foi realizada nas instalações do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas de São Paulo. Além de Lenycia, participaram do estudo as também nutricionistas Rafaela Rodrigues Vieira, Sabrina Moura Mercham de Santana e Letícia Pereira de Brito Sampaio.

A principal conclusão que as pesquisadoras chegaram foi a de que a experiência prática, por meio da participação em workshops, contando com a orientação das especialistas, permitiu que as famílias ganhassem desenvoltura e confiança para introduzir a dieta em suas rotinas e aprender a como conciliar isso também com a alimentação convencional dos demais integrantes do núcleo familiar.

Adaptações

Em um primeiro momento, a mudança de hábitos e as adaptações necessárias na forma de cozinhar e planejar as refeições costumam estar entre as maiores inseguranças e dúvidas das famílias, quando há a indicação da dieta cetogênica para um paciente com epilepsia. Entender o conceito e saber como se movimentar dentro do programa é, então, fator primordial para superar esses receios.

“Conhecendo os fundamentos e dominando as técnicas de preparo, pesagem e escolha dos produtos, tudo fica mais fácil”, destaca a especialista, lembrando ainda que, tão logo o paciente comece a apresentar melhoras, o grupo familiar ganha um estímulo a mais para seguir adiante.

As nutricionistas adaptaram receitas cetogênicas ao estilo da culinária brasileira e aos produtos mais facilmente acessíveis no país

Outro ponto relevante no trabalho do projeto foi o da adaptação das receitas clássicas da cozinha cetogênica ao gosto brasileiro e à disponibilidade de produtos no país. Cada adequação foi feita sob rigorosos critérios nutricionais, e a receptividade foi a melhor possível entre as famílias.

“Ter essa adequação à nossa realidade é muito importante! Os carboidratos refinados, por exemplo, estão muito presentes na dieta do brasileiro, com pães, massas, arroz, etc. Além disso, as pessoas têm cada vez menos tempo para cozinhar. Então existe logo um receio de que a dieta cetogênica seja pouco saborosa e, ao mesmo tempo, difícil de encaixar na rotina. Mas, com uma prática bem orientada, conseguimos provar que esses receios são infundados”, observa Lenycia.

Diante dos indicadores positivos obtidos com o estudo, a expectativa agora é a de que isso estimule o desenvolvimento de mais estudos e a mobilização entre nutricionistas, para aumentar a quantidade de materiais (receitas acessíveis, desenvolvidas e/ou adaptadas por profissionais) e as estruturas de suporte às famílias, como as cozinhas experimentais.

SAIBA MAIS

  • Basicamente, a dieta cetogênica (confira mais detalhes AQUI NESTE LINK) é um plano alimentar rico em gorduras, pobre em carboidratos e com níveis adequados de proteínas, que beneficia diretamente o controle das crises epilépticas. Desde 2018, a Liga Brasileira de Epilepsia recomenda a adoção desse tipo de programa alimentar nos casos considerados refratários (epilepsias de difícil controle);
  • Na Clínica Vita, a terapêutica já está disponível há pelo menos quatro anos, apresentando sempre excelentes índices de sucesso. Segundo Lenycia, os levantamentos científicos feitos até agora mostram que, em média, 50% dos pacientes apresentam melhoras na frequência e na intensidade das crises epilépticas, sendo que cerca de 25% chegam a ter remissão total do quadro;
  • A introdução do programa dietético é feita de forma progressiva, com cálculos nutricionais precisos para cada paciente. Em hipótese alguma são recomendados cortes ou restrições de grupos alimentares para pacientes com epilepsias sem o devido acompanhamento de um nutricionista especializado nessa área. Da mesma forma, a descontinuidade da dieta cetogênica só deve ser feita com acompanhamento do nutricionista e do médico neurologista ou neurologista infantil que conduzem o caso.

Essa publicação foi atualizada em 7 de abril de 2021 06:22

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