Além da massa muscular, exercícios favorecem a massa cinzenta

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Há décadas, a ciência vem mostrando os benefícios da prática regular e bem orientada de atividades físicas para a saúde. Ninguém mais duvida dos impactos positivos no sistema cardiovascular e na manutenção de bons níveis de massa muscular e de densidade óssea, por exemplo. Só que, mais recentemente, os estudos têm comprovado que uma rotina de exercícios também ajuda a proteger o cérebro e o sistema nervoso como um todo.

“Hoje, em Neurologia, as atividades físicas são vistas como um remédio. É medicamento”, afirma a neurofisiologista e neurologista infantil Simone Amorim, que tem larga experiência no campo da Neurorreabilitação, tratando de doenças crônicas e de quadros neurodegenerativos, em pacientes de todas as idades.

Dra. Simone Amorim: indicação de atividades físicas nas prescrições para pacientes com quadros como Parkinson e Alzheimer

Segundo a médica, a indicação para fazer exercícios físicos consta atualmente entre as medidas essenciais na prevenção e no tratamento de quadros como Doença de Parkinson, Alzheimer, depressão e enxaqueca, dentre inúmeros outros. “Essa recomendação entra em nosso receituário, como primeira escolha”, revela a especialista.

Riscos de demências

O apontamento geral dos levantamentos científicos é de que, em todas as faixas etárias, as atividades físicas estão relacionadas à melhora da memória e à redução da atrofia cerebral. Não é exagero, portanto, dizer que, além de beneficiar a massa muscular, os exercícios físicos beneficiam também a massa cinzenta.

Por outro lado, infelizmente, no Brasil, estima-se que 64% das pessoas entre os 65 e os 74 anos de idade estejam sedentárias. Além disso, apenas 30% da população geral se diz fisicamente ativa. Evidencia-se aí, portanto, um grande fator de risco para o surgimento de quadros de demências, à medida que a expectativa de vida também é cada vez maior.

Mas esses riscos podem ser mitigados, com conscientização, mudanças simples de hábitos – e, claro, também com a promoção de políticas públicas de Saúde que viabilizem o acesso e o suporte às práticas desportivas, especialmente entre a população idosa.

Sinapses e neurotransmissores

Basicamente, o que os estudos têm demonstrado é que as atividades físicas, de uma forma geral, contribuem para a melhoria da qualidade das sinapses (“canais de comunicação” entre as células nervosas), além de melhorar o fluxo de neurotransmissores (substâncias produzidas pelos neurônios, com a função de biossinalização, e que são fundamentais na regulação de diversas funções do organismo, como sono, humor, fome, etc.).

Entretanto, ainda não existem protocolos definidos quanto aos tipos de exercícios mais recomendáveis para essas finalidades, pois revisões de artigos apontam tanto para benefícios conferidos pelas atividades aeróbicas (como caminhadas, corridas, ciclismo, etc.), quanto pela musculação.

“O mais importante é a pessoa eleger alguma atividade de que goste, praticando-a com regularidade. Cada um deve começar dentro do seu ritmo e das suas condições, levando em conta as suas eventuais limitações. O mais importante é que seja uma rotina possível de ser cumprida, e que haja compromisso com ela. Fazer atividades físicas também deve ser algo prazeroso”, recomenda Simone Amorim.

Por isso, consultar um médico de confiança para verificar o estado geral de saúde e obter orientações específicas é a melhor opção para quem deseja sair do sedentarismo. Na hora de eleger a atividade, contar com a instrução de um profissional de Educação Física também costuma fazer a diferença, para que sejam realizados os ajustes necessários no plano de treino, evitando, assim, riscos de lesões e também de abandono do programa.

Inclusão e suporte adequado

A fisiatra Midory Namihira lembra que até mesmo pacientes que convivem com restrições físicas (isto é, pessoas com deficiências, ou mesmo com patologias que condicionem e/ou limitem a realização de determinadas atividades) podem – e devem – ter acesso a programas de exercícios. Contudo, ela observa que, muitas vezes, essas pessoas ficam limitadas às atividades fisioterapêuticas ou têm de escolher entre opções restritas de determinadas práticas desportivas, por ainda não haver uma cultura geral de acessibilidade e adaptabilidade para os desportos.

“Nas academias, nem sempre é fácil encontrar meios para fazer atividades adaptadas. Faltam equipamentos adequados e, embora já existam profissionais de Educação Física capacitados para esses casos, esse é um nicho que ainda pode crescer muito”, observa a especialista em Medicina Física e Reabilitação.

Enfrentam esse tipo de desafio pessoas com quadros que incluem dores crônicas, devido às mais diversas causas (como tendinites, dores neuropáticas, problemas osteomusculares, fibromialgia, etc.), além de paraplegias, hemiparesias (paralisias em apenas um lado do corpo) e outras limitações físicas causadas por lesões ou comprometimentos neurológicos (como sequelas de traumatismos, AVCs, doenças neurodegenerativas, etc.), dentre inúmeros outros casos.

“Todas essas são situações onde convêm que os treinos sejam individualizados, adaptados às condições de cada indivíduo. Sempre que possível, incentivo que essas pessoas recorram a um personal trainer, para receberem atenção às suas necessidades específicas. Mas é claro que o ideal mesmo é que também tivéssemos isso mais disseminado em termos de serviços públicos, com amplos acessos para todas as pessoas”, defende Midory Namihira.

Essa publicação foi atualizada em 14 de janeiro de 2021 10:24

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